Nos dias de hoje somos constantemente bombardeados com as
mais diversas definições e teorias sobre o conceito de amor. As redes sociais
não se cansam de publicar, em variadas páginas, textos e frases que suscitam
imediatamente reacções muito diversas por parte dos jovens (e não só),
provocando imediatamente uma onda de comentários, na maior parte das vezes
ridiculamente previsíveis… Parece que, gradualmente, o conceito de amor vai
sendo banalizado até ao ponto de muita gente não saber distinguir o que é
verdadeiramente.
Li recentemente um livro cujo título é O gosto proibido do gengibre. Nunca pensei, quando o tive nas mãos,
que um dia chegasse a querer escrever sobre ele, nem sequer imaginei que esta
obra ocupasse um lugar privilegiado durante tanto tempo na minha cabeça… E,
claro, no meu coração. A história é aparentemente simples, no entanto encerra
uma riqueza extraordinária que se reflecte, tanto nos valores e sentimentos
transmitidos, como no próprio conteúdo histórico. Henry Lee, um americano de
ascendência chinesa, regressa ao Hotel Panama, que antigamente era o ponto de
encontro da comunidade japonesa de Seattle. Este hotel tinha estado fechado
durante décadas, até que uma rapariga decidiu adquiri-lo, tornando-se a nova
proprietária. Descobriu, na cave poeirenta, os pertences de algumas famílias
japonesas que, após o ataque a Pearl Harbor, foram enviadas para campos de
concentração. Henry reconhece uma sombrinha de bambu que o faz retroceder
quarenta anos no tempo, fazendo-o pensar inevitavelmente em Keiko, uma rapariga
japonesa com a qual mantinha uma forte relação de amizade e, posteriormente de
amor, um amor inocente e belo que foi capaz de ultrapassar os preconceitos
culturais que havia naquela altura. Quando Keiko e a sua família são enviados
para um campo, só lhes resta a ambos esperar que a guerra finalize para que
todas as promessas que fizeram um ao outro possam cumprir-se… Porém, passados
quarenta anos, Henry, viúvo e com um filho, procura dar resposta àquele vazio
que sente provocado entre outras coisas, pela ausência de Keiko que nunca mais
voltou a ver… E que nunca esqueceu.
É verdadeiramente enternecedor ler os episódios nos quais
Henry fala de Keiko e descreve a relação que ambos mantinham de uma maneira
simples e comovente, transmitindo a ideia de que o amor é a captação de que a
outra pessoa é única e irrepetível. O amor não tem necessariamente que ser provado
mediante gestos exacerbados ou palavras grandiosas, mas através das pequenas
coisas… E, muitas vezes, também no sofrimento e na dor. A verdade é que, actualmente,
há uma certa tendência para definir o amor como uma condição psicofísica ou
como um sentimento que vai e vem ao sabor do vento. Esta definição causa inúmeras
vezes um medo avassalador ao compromisso, a comprometer-se com alguém. É muito
frequente ouvir (infelizmente) às pessoas da minha idade a frase “um amor que
dure para sempre só existe nos contos de fadas”… Tudo, porque não sabemos
cuidar as pequenas coisas… Tudo, porque não sabemos o que é o amor.
Aconselho vivamente esta leitura, que para além de ser muito
cativante e fácil de ler, ajuda-nos a reflectir sobre vários aspectos
fundamentais nos quais todos deveríamos pensar algum dia devido à enorme
importância que têm, ou deveriam ter na nossa vida.
Maria Calderón


Mais um texto inspirador que mostra muito bem como alguns dos ideais mais importantes para algumas pessoas estão tão banalizados para outros. O que mostra que na nossa sociedade actual ,infelizmente, um simples click ou um like são tão, ou mais , importantes do que a ideia e o sentimento tão profundo que é o amor.
ResponderEliminarMuitos parabéns!
Muito obrigada Margarida!
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