Quem me conhece bem já está
familiarizado com este meu fascínio. É uma das grandes tristezas de viver numa
cidade, com tanta poluição. Olhamos para o céu e vemos apenas o azul profundo e
escuro, que esconde em si um manto de estrelas. Nos cantinhos e caminhos que,
por vezes, encontramos com fraca iluminação lá conseguimos vislumbrar algumas
constelações, o que tem como consequência o meu pescoço esticar-se
automaticamente. Não vale a pena tentar manter contacto visual comigo, pois
reservo este para as minhas raras amigas estrelas.
Olhar para o céu faz-me sentir
pequena e grande ao mesmo tempo. Pequena porque somos apenas um pontinho no
universo, em constante expansão, formigas para quem estiver a um mero ano-luz.
Mas também grande, porque sinto que estão ao meu alcance em pontas dos pés,
inspiram-me e fazem-me querer elevar-me aos limites.
Não sabia que existiam de verdade,
mas neste verão vi duas estrelas cadentes. Iguais às que se vêem nos filmes e
se lêem nos livros (tirando o pormenor de que não são na realidade estrelas,
mas sim fragmentos a cair a toda a velocidade no espaço). Não pude deixar de pedir
um desejo com a passagem de cada uma. Coincidência ou não, a verdade é que os
desejos se concretizaram, os dois (não estou a mentir, tanto que um deles era
entrar na faculdade que queria).
Esta realização dos desejos pode
até ser derivada do próprio ato, sendo que quando desejamos, inconscientemente
agimos como se soubéssemos que vai acontecer, independentemente de como
procedermos (como, por exemplo, no Harry Potter, quando o Ron pensa que o Harry
lhe pôs Felix Felicis – uma poção que faz com que tenhas sucesso em tudo o que
faças durante o período de efeito – na bebida no dia das audições para o
Qwiditch, e acaba por arrasar, apesar de o Harry não lhe ter posto nada; aquela
confiança de que ia conseguir ajudou-o a perder os nervos).
Concluindo, e já nem sei o que é
este texto, vou só chamar-lhe uma desorganizada reflexão sobre as estrelas,
devemos todos olhar para cima quando as luzes estiverem em baixo, pois nunca se
sabe a inspiração que nos pode acometer.
Mariana Espírito Santo

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